10/07/2012

Poemas De Casimiro de Abreu

Berço e Túmulo 
Trago-te flores no meu canto amigo
— Pobre grinalda com prazer tecida —
E — todos amores — desponta num beijo
Na fronte pura em que desponta a vida.

E cedo ainda! — quando moça fores
E percorreres deste livro os cantos,
Talvez que eu durma solitário e mudo
— Lírio pendido a quem ninguém deu prantos!.

Então, meu anjo, compassiva e meiga
Despõe-me um goivo sobre a cruz singela,
E nesse ramo que o sepulcro implora
Paga-me as rosas desta infância bela!


FRAGMENTO

O mundo é uma mentira, a glória — fumo,
A morte — um beijo, e esta vida um sonho
Pesado ou doce, que s’esvai na campa!

O homem nasce, cresce, alegre e crente
Entra no mundo c’o sorrir nos lábios,
Traz os perfumes que lhe dera o berço,
Veste-se belo d’ilusões douradas,
Canta, suspira, crê, sente esperanças,
E um dia o vendaval do desengano
Varre-lhes as flores do jardim da vida
E nu das vestes que lhe dera o berço
Treme de frio ao vento do infortúnio!
Depois — louco sublime — ele se engana,
Tenta enganar-se pr’a curar as mágoas
Cria fantasmas na cabeça em fogo
De novo atira o seu batel nas ondas,
Trabalha, luta e se afadiga embalde
Até que a morte lhe desmancha os sonhos
Pobre — insensato que achar por força
Pérola fina em lodaçal imundo!
— Menino louco que se cansa e mata
Atrás da borboleta que travessa
Nas moitas do mangal voa e se perde!

Violeta 
Sempre teu lábio severo
Me chama de borboleta!
— Se eu deixo as rosas do prado
É só por ti — violeta!

Tu és formosa e modesta
As outras são tão vaidosas!
Embora vivas na sombra
Amo-te mais que do que às rosas.

A borboleta travessa
Vive de sol e de flores…
— Eu quero o sol de teus olhos,
O néctar dos teus amores

Cativo de teu perfume
Não mais serei borboleta;
— Dá-me o teu mel — violeta!

Casimiro de Abreu.

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